23 novembro, 2011

Por que sou um metodista?

Estive pensando nesta pergunta durante algumas semanas. Diante dos atuais acontecimentos, que vêm de longa data, o que me faz prosseguir nos caminhos do metodismo? Bem...teria que retornar ao ano de 1993, ano em que me tornei membro da Igreja Metodista, para responder a essa pergunta e responder a uma outra pergunta: Por que eu desejei ser um metodista?
Naquela noite de quinta-feira de junho de 1993, na Igreja Metodista em Santo Agostinho, Volta Redonda, depois de ouvir um sermão bem elaborado por um leigo, onde pude, mesmo sendo visitante, reconhecer cada parte do sermão e a idéia central do texto, ao som do hino de nº 377 (Confiança em Cristo), senti uma verdadeira paz e uma alegria por estar ali. Estava conhecendo um culto metodista. E onde ao final do culto as pessoas se aproximavam de você e desejavam uma boa noite e um “volte sempre que quiser!” E...eu voltei! E fui conhecendo aquela Igreja que alguns evangélicos diziam ser uma Igreja fria ou uma “católica melhorada”. Não dei muita atenção, porque aprendi com meus pais que juízo de valores não deve ser considerado e além do mais, eu gosto de ter a minha própria opinião. Tudo que diziam era um amontoado de preconceito!Algo típico da mentalidade evangélica brasileira atual!

Desejei ser metodista porque eu via nos cultos uma reverência a Deus que me impressionava! Via alegria, mas também “tudo com ordem e decência!” (I Coríntios 14.40).

Desejei ser metodista porque a criança tinha seu espaço na vida da Igreja, participando dos sacramentos da Ceia e do Batismo!

Desejei ser metodista porque era uma Igreja onde a tolerância e o dialogo sobrepunha o sectarismo e as ofensas..

Hoje eu olho a Igreja e me pergunto: Onde está aquela Igreja que conheci? Será que todas aquelas posturas cristãs estavam erradas? Será que eu estou errado em desejar que a Igreja Metodista seja Igreja Metodista?

Onde está a ordem e decência no culto? Muitas vezes deram lugar aos modismos e “coisas” (fogo estranho?) estranhas!

Onde está o espaço da criança? Temo que suma em breve, pois têm pastores (as) metodistas que já não batizam crianças e nem oferecem a Santa Ceia a elas.

Onde estão os sinais visíveis da Graça de Deus? O merecimento é tantas vezes maior que a misericórdia de Deus sobre o pecador!

Onde está a tolerância e o dialogo? Ainda mantenho a esperança de que estão apenas escondidos, mas logo se revelarão!

Mas por que insisto em ser Metodista? E ainda pastor?

Porque acredito que a Igreja Metodista é onde Deus deseja que eu esteja...e porque “importa obedecer a Deus do que os homens” (Atos 5.29). E que no fundo, meus colegas pastores e pastoras, sabem que o movimento metodista é um soprar do Espírito, não se sabe de onde vem e nem pra onde vai, mas sabem quem está soprando! Isso é fascinante!


Pr. Antonio Carlos Soares dos Santos – Volta Redonda

16 setembro, 2011

Site da Igreja Metodista de Vila Isabel publica os 2 volumes do livro "Cristo e o Processo Revolucionário Brasileiro" como preparo da celebração dos 50 anos da Conferência do Nordeste, em julho de 2012

Abaixo alguns links do material que já está disponível no site.


A Conferência do Nordeste - Livro 1: As crônicas
Já está integralmente publicado. Veja em http://www.metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/descricao.asp?n=3

Pequena resenha desse volume 1:
Crônica da Conferência do Nordeste, acontecida em Recife, de 22 a 29 de julho de 1962, que reuniu expoentes das diversas igrejas e segmentos evangélicos Brasileiros, para discutir a temática "Cristo e o processo revolucionário brasileiro". O encontro, presidido pelo metodista Almir dos Santos, foi promovido pelo Setor de Responsabilidade Social da Igreja do Departamento de Estudos da Confederação Evangélica Brasileira. Alguns anos depois o Rev. Almir dos Santos, tornou-se Bispo da Igreja Metodista. Hoje está com o Senhor.

A Conferência do Nordeste - Livro 2: As reflexões e ministrações
Estamos chegando à parte final do trabalho para publicá-lo integralmente no site. Mas enquanto isso não acontece, alguns textos já podem ser lidos e conhecidos no menu "Colunas" ("ZZ Outros Colaboradores ZZ ), entre os quais:

A Igreja e a sua responsabilidade social (Pastor Ernest Schilieper)
http://www.metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/descricaocolunas.asp?Numero=1970

Cristo e o processo revolucionário brasileiro (Rev. Almir dos Santos)
http://www.metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/descricaocolunas.asp?Numero=1971

Os profetas em épocas de transformações políticas e sociais (Rev. Joaquim Beato)
http://www.metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/descricaocolunas.asp?Numero=1972

A revolução do Reino de Deus: Conteúdo revolucionário do ensino de Jesus sobre o Reino de Deus (Rev. João Dias de Araújo)
http://www.metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/descricaocolunas.asp?Numero=1974

O artista: servo dos que sofrem (Prof. Gilberto Freyre)
http://www.metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/descricaocolunas.asp?Numero=1975

Nesse texto, Gilberto Freyre, que participou da Conferência do Nordeste, já dizia naquele julho de 1962:
O cristianismo evangélico no Brasil já está na vez de se sentir, como cristianismo por excelência bíblica, na cultura brasileira. A influência da Bíblia sobre as gentes britânicas, em grande parte protestante, há quem atribua considerável importância entre as condições que tornaram possível a opulência da literatura em língua inglesa. É uma influência que está por se fazer sentir na arte e na literatura brasileira. A despeito do crescente número de cristãos evangélicos em nosso país, ainda não apareceu o brasileiro de gênio, que nascido evangélico, criado em meio evangélico, identificado com a interpretação evangélica da vida e da cultura brasileira, se afirmasse no Brasil grande poeta ou grande escritor em língua portuguesa, ou compusesse música brasileira, marcada por esta interpretação ou por esta inspiração, ou o arquiteto também de gênio que desenvolvesse para as igrejas evangélicas do trópico, um tipo de arquitetura que não fosse nem a imitação do tipo católico, nem reprodução do protestante anglo-saxônico ou germânico.

É curioso que até agora o cristianismo evangélico só tenha concorrido salientemente para enriquecer a cultura brasileira com insignes gramáticos: Otoniel Motta, Eduardo Carlos Pereira, Jerô-nimo Gueiros. É tempo de o cristianismo brasileiro evangélico ir além e concorrer para esse enriquecimento com um escritor do porte e da flama revolucionária, eu diria também, de Euclides da Cunha; com um poeta da grandeza de Manoel Bandeira; com um compositor que seja outro Villa-Lobos, que componha baquianas brasileiras que sejam interpretação ao mesmo tempo evangélica e brasileira de Bach. Também um caricaturista ou um teatrólogo revolucionariamente evangélico que pela caricatura ou pelo teatro denuncie abusos de ricos que para conservarem um privilégio de classe pretendem se fazer passar por defensores ou conservadores de tradições religiosas ou mesmo do que se intitula as vezes, pomposa e hipocritamente, civilização cristã.


OBS:
A Semana de Estudos Teológicos da Faculdade de Teologia Metodista em São Paulo (FATEO) dias 24 a 28 de outubro será sobre os 50 anos da Conferência do Nordeste.

Inscrições e informações:

http://www.metodista.org.br/conteudo.xhtml?c=11143

12 setembro, 2011

O MUNDO É DOS ESPERTOS... MAS O REINO DE DEUS É DOS BOBOS... (Antônio Carlos S. dos Santos)

Quando Jesus diz que é necessário ser como uma criança para entrar no Reino de Deus, ela está falando de características que julgamos bobas neste mundo... Ora, só um bobo apanha em uma face e oferece a outra para bater... só um bobo caminha dois quilômetros quando se pede para caminhar apenas um... somente um bobo se pedirem a carteira dá também o tênis, sapato ou a camisa... Somente um bobo confia que seus amigos não o abandonarão no pior momento da sua vida...

O que Jesus pede aos seus discípulos é isso: Não seja esperto, seja bobo...seja ingênuo...não leve a vida na esperteza... não faça os outros de bobos... seja você um bobo... não acumule dinheiro no “mundo dos espertos”, acumule graça e misericórdia diante de Deus.

Bobo é aquele que ainda acredita que o mal pode ser vencido com o bem. Bobo é aquele que mantêm suas convicções mesmo quando dizem: “Deixa de ser bobo! Todo mundo faz”! Isso é o que mais motiva o bobo a deixar de ser bobo e passar a ser esperto, todo mundo faz, todo mundo está se dando “bem”, por que eu não posso?

Só que isso fecha as portas do Reino de Deus para ele e o lança na rotina da "esperteza". O bobo é justamente aquele que não negocia sua consciência, porque sabe que caráter, não tem preço. Bobo não é burro, nem alienado... Mas é ser o reverso desse mundo “esperto”.

O que traz sofrimento ao bobo é excesso de confiança, o que traz felicidade ao bobo é o excesso de confiança.

Como diria o escritor Caio Fernando Abreu: “Dentro dela tem um coração bobo, que é sempre capaz de amar e de a-creditar outra vez”. Por isso e por outras mais que prefiro ser bobo e continuar no fim da fila...

25 agosto, 2011

Igreja, comunidade promotora de humanidade (Pastor Ronan Boechat de Amorim)

Igreja significa reunião.
É, portanto, um grupo de pessoas reunidas pela fé em Jesus.
É a comunidade da fé,
a comunidade dos discípulos(as) de Jesus,
a comunidade das testemunhas do amor de Jesus,
a comunidade dos amigos e amigas de Jesus.

Esses amigos e amigas foram reunidos por Jesus
que chamou seus discípulos(as)
e os capacitou, autorizou e os enviou pelo mundo
para anunciar o Evangelho (a Boa Nova!) do Reino de Paz e justiça,
Promovendo a fé e espalhando o convite de Jesus para um mundo novo.

A Igreja não tem um fim em si mesma. Não vive pra si mesma!
Ela é um instrumento através do qual Deus cuida do mundo!
Por isso os olhos da Igreja devem estar em Deus, de quem é instrumento,
para não esquecer quem é e a tarefa que tem.
Por isso os olhos da Igreja devem estar no mundo ao seu redor,
a quem ela serve em nome de Deus, para não alienar-se dele.

A Igreja existe para promover a vida
num mundo com tanta violência, opressão e morte,
acolhendo, protegendo e fortalecendo os mais fracos,
reunindo todas as pessoas num grande projeto de solidariedade para com as demais pessoas e o meio ambiente;
educando os mais jovens para a tolerância, para a realização de sonhos e a importância de se preservar valores éticos e humanos;
educando os adultos e mais idosos para o acolhimento e respeito aos mais novos, às novas práticas e visões;
educando a todos para generosamente chorarmos com os que choram e nos alegrar com aqueles que se alegram;
e profetizando juízo sobre os que promovem injustiça e violência
e que se enriquecem
com a escravização e exploração do outro.

A Igreja existe para anunciar o Evangelho (a Boa Nova),
para promover a reconciliação e paz entre as pessoas,
para promover justiça e misericórdia, amizade e generosidade.
Para promover humanidade!


24 agosto, 2011

Mosaico (Pr. Nilson da Silva Junior)

Foi lançado há poucos dias o livro “Cristianismos – Questões e Debates Metodológicos” de autoria de André Leonardo Chevitarese. O autor é historiador, professor doutor do núcleo de história da Universidade Federal do Rio de Janeiro e consultor das revistas Superinteressante e Galileu. Em entrevista ao “Programa do Jô”, da Rede Globo (19/07), comentou que o livro apresenta alguns resultados da pesquisa histórica relacionada à religião e à vida de Jesus. Segundo o autor, os trabalhos demonstram que nenhuma denominação religiosa pode utilizar o cristianismo como motivo para intolerâncias e o ponto central do texto está na questão de que toda percepção religiosa deve ser entendida no plural, por isso, o título utiliza a palavra Cristianismos e não Cristianismo. Chevitarese afirmou que se esse entendimento for aplicado, as relações entre indivíduos podem se tornar bem melhores.

A provocação desta obra é interessantíssima e pertinente, afinal, um dos fatores mais prejudiciais à boa convivência religiosa sempre esteve no entorno de tentar ignorar a existência da pluralidade. Sejam nos pensamentos ou nas tradições, na interpretação ou na contextualização, a religião é um oceano vastíssimo, formado por experiências e conclusões individuais, que quase nunca se repetem da mesma forma, por mais que se tente.

Por isso, tratar Cristianismo como Cristianismos, talvez seja a melhor maneira de entender e aceitar a característica facetada desta religião, que é diversa nos vários países, nas várias culturas e nas muitas denominações. E talvez, uma ação ainda mais contundente seria usar esta percepção para outras áreas da vida, redimensionando questões do cotidiano com a mesma lógica. Por exemplo, poderíamos conceber a existência de ideias, ao invés de ideia, conclusões, ao invés de conclusão, e substituíssemos outras palavras… pensamento, por pensamentos, visão, por visões, ação por ações.

Esta é uma lição infinita que poderia transcender não somente a religião, mas também os costumes, a maneira de interpretar, de falar, de agir. Além do mais, admitir a pluralidade é caminhar em direção ao respeito, a tolerância, a participação, à comunhão. Não há como o mundo ser mundo sem a variedade das cores, formas, raças, opiniões. Ele só será bom e bonito se nos entendermos como um grande mosaico, capaz de formar beleza a partir da individualidade existente em cada um de nós.

Ao olharmos para o relacionamento de Jesus com seus discípulos, nos deparamos com um verdadeiro mosaico. O evangelho de Lucas demonstra que o Mestre escolheu doze homens, “aos quais deu também o nome de apóstolos: Simão, a quem acrescentou o nome de Pedro, e André, seu irmão; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu; Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelote; Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, que se tornou traidor” (Mateus 6.13-16). Dentre estes, existiam ex-pescadores, um ex-cobrador de impostos, além de outros personagens comuns do povo e, até mesmo um traidor, como destaca o texto. Essa variedade de indivíduos, com histórias, experiências e personalidades diversas, é que compôs o primeiro mosaico cristão da humanidade, que, com seus defeitos e qualidades, nos desafia até hoje na luta da convivência e da religião.

Quem sabe possamos aceitar a indicação do historiador para considerar a pluralidade como parte integrante de nossas vidas. Quem sabe tenhamos a capacidade de imaginar algo maior do que a nossa individualidade e sermos mais receptivos em nossas relações, tolerantes em nossas posições e compreensivos em nossas diferenças.

Rev. Nilson

22 agosto, 2011

Ecumenismo pode ser beneficiado por decisões institucionais, mas não depende delas para acontecer (Pastor Ronan Boechat de Amorim)

Alguns delegados(as) ao último Concílio Geral da Igreja Metodita, reunido em Brasília dias 9 a 17 de julho de 2011, retiraram da agenda do Concílio as propostas para que fosse discutida a revisão da decisão do penúltimo Concílio Geral que determinou a saída da Igreja Metodista dos órgãos ecumênicos onde a Igreja Católica esteja representada.

A retirada da discussão da proposta não foi por medo, nem por impotência ou concordância com a decisão equivocada do penúltimo Concílio Geral, mas pelo clima missionário e de conciliação que tomou conta das 9 sessões desse 19º Concílio de Brasília.

Certamente a discussãodo retorno da Igreja Metodista aos órgãos ecumênicos onde a Igreja Católica também se faz representar seria acalorada e nada fácil.

A saída da Igreja desses organismos ecumênicos não impediu a Igreja e seus pastores(as) e líderes leigos(as) de serem ecumênicos, tanto quanto a presença da Igreja nesses fóruns ecumênicos não promoveu de fato o ecumenismo na base da igreja, nas igrejas locais. Assim, a tal decisão do 18º Concílio não obrigou ninguém a deixar de ser ecumênico e ter práticas ecumênicas, do mesmo modo que o retorno a esses fóruns ecumênicos não obrigaria ninguém a ser ecumênico.

Aqui na cidade do Rio tínhamos há poucos anos atrás reuniões regulares de padres e pastores de várias denominações evangélicas. As reuniões reunião 20 ou pouco mais pessoas para um café, conversas, momentos de oração e construção de amizade, respeito e diálogo. Alguns tiveram a idéia de isntitucionalizar o "movimento ecumênico" numa sub-seção do Conic Rio. E isso aconteceu.

Infelizmente o movimento foi institucionalizado e as reuniões de amigos(as) que aconteciam informalmente deixaram de acontecer.

Para ser da diretoria do movimento institucionalizado no Conic-Rio era, por exemplo, nomeado pelo Bispo da Região, o que é certo. A questão é que deixou de ser movimento, deixou de ser inclusivo, deixou de ser... pois acabou.

Pode parecer simplista e superficial essa análise, mas os metodistas ecumênicos, homens e mulheres, leigos e pastores, precisamos recriar o movimento ecumênico, a prática ecumênica, na vida, no cotidiano, como era na cidade de Duque de Caxias nos anos 80 com o movimento Baixada Livre, liderado pelo Rev. Melchias Silvas, e envolvendo os pastores e a liderança leiga do Distrito num movimento que saía dos gabinetes, dos fóruns, das conversas de uns poucos e virava festa, encontro,celebração, vida ecumênica quotidiana.

Nós ecumênicos precisamos ter práticas ecumênicas e não apenas valores, atitudes e discursos ecumênicos. Precisamos mostrar que o ecumenismo que constrói respeito, diálogo e anúncio, solidariedade e amizade, é algo benéfico para o nosso testemunho e nossa prática evangelizadora.

A divisão da Igreja cristã e a falta de respeito entre denominações, entre grupos de poder, entre segmentos teológicos, e essa prática de falar mal uns dos outros, desqualificando-os como cristãos, é uma vergonha que macula a fé cristã. Pois diante das outras práticas religiosas e dos que promovem o ateísmo, parecemos um "saco de gato" de grupos arrogantes, confusos e que querem ser uns maiores emais certos que os outros. Como se diz por aí, "casa onde todo mundo briga e grita, ninguém tem razão".

Como disse Jesus em João 17, e que foi ampla e explicitamente apontado pelo Bispo Metodista da Igreja do México, a falta de unidade é segundo João 17:21 uma forte razão para que o mundo não creia no Evangelho. A unidade (respeito, camaradagem)é fundamental para que o mundo creia qiue Jesus, o Salvador dos diferentes grupos cristãos, é o Deus Vivo que quer salvar este mundo e a cada pessoa de nosso mundo.

Quero que a Igreja Metodista volte a fazer parte de todos os órgãos e fóruns ecumênicos. Mas desejo, oro e trabalho muito mais para que nossa prática ecumênica não dependa disso.

Teu irmão e tua irmã, estão aí... estenda a mão em amizade e respeito. Há questões doutrinárias e teológicas que não teremos como resolver e superar nesse mundo, ou seja, vamls continuar sendo diferentes, mas podemos nos relacionar respeitosamente, generosamente, benignamente, cristãmente. Vamos continuar com as nossas convicções e certamente em nossas denominações e instituições denominacionais, mas podemos experimentar uma unidade de amor e respeito. É a tal unidade nadiversidade.

"Se o teu coração é igual ao meu, dá-me a mão e meu irmão serás", dito por João Wesley, o fundador do metodismo, continua sendo um desafio para nós, metoditas brasileiros do século XXI.


16 março, 2011

A PRESENÇA DO METODISMO


Bispo Paulo Ayres Mattos (texto adaptado de uma carta escrita quando então Bispo da I Região Eclesiástica aos pastores(as) em 16 de outubro de 1979)

1 - SOMOS IGREJA METODISTA:
Somos Igreja Metodista, ramo da Igreja Universal do Senhor Jesus Cristo. Não somos melhores que as outras igrejas que verdadeiramente cumprem a vontade do Senhor, mas sabemos que somos importantes e que é importante nosso jeito metodista de ser Igreja, nosso jeito metodista de servir a Deus e ao povo que Ele tanto ama.

2 - POR QUE DEUS TERIA LEVADO OS METODISTAS?
Hoje, como na Inglaterra do século XVII de João Wesley, Deus levanta os metodistas para:
- "Reformar a nação, particularmente a Igreja, e para espalhar a santidade bíblica por toda a terra".

3 - NÓS TEMOS NOSSA ÊNFASE PRÓPRIA NO TRABALHO DA EVANGELIZAÇÃO.
A primeira coisa que precisamos saber é que o Metodismo é simplesmente cristianismo prático.

Wesley, e hoje nós metodistas também, entendemos que a vida tem um propósito e um alvo claramente definidos: - como cristãos somos chamados por Deus a viver como Cristo viveu e trabalhou neste mundo para a realização daquele estado perfeito de todas as coisas e relações ( pessoais e comunitárias ), que a Bíblia denomina Reino de Deus.

Participar da sinalização ("construção") do Reino de Deus em nosso mundo, pelo Espírito Santo, constitui-se na tarefa evangelizante da Igreja.

Para o crente isso significa a completa devoção ao Senhor Jesus Cristo e a abertura contínua à ação do Espírito Santo em nós e entre nós. O Espírito Santo produz em nós o fruto do Espírito e suas virtudes ( Gl 5:22-23).

A primeira e mais importante manifestação do Espírito na vida do homem e da mulher é o amor, conforme Jesus nos ensinou ( Mt 22:37-39; Lc 10:25-37; Jo 13:31-35; Jo 15:12-17). Quando amamos intensamente como Jesus amou, não só com palavras mas também por ação (serviço), atingimos aquele estado que Wesley denominou "perfeição cristã", "perfeito amor", "inteira santificação", expressões empregadas para descrever o alvo da vida cristã. Notem que santidade em Wesley é entendida não em termos individuais e moralistas, mas ligados às relações entre as pessoas, isto é, em termos comunitários e sociais.

A Bíblia, afirma Wesley, nada sabe sobre religião individualista e solitária. Para o fundador do movimento metodista, a fé cristã é eminentemente social, pois o amor de Deus não conhece fronteiras. O amor de Deus conduz necessariamente a amar as pessoas, sem qualquer discriminação. O amor a Deus é autêntico e verdadeiro quando demonstrado e provado pelos atos de amor em favor do nosso semelhante (1Jo 2:7-11; 1Jo 3:1-24; 1Jo 4:7-21; At 2:43-47).

A santidade na vida do crente, portanto, tem profunda dimensão social. O amor de Deus nos enche e transborda sobre a vida daqueles que vivem ao nosso redor. Sejam crentes ou não crentes em Jesus. É bênçãos sobre todos (Mt 5:43-44).

Assim a salvação, que é entendida como resultado da ação de Deus, é também o processo pelo qual somos libertados por Jesus Cristo para servir a Deus e ao próximo e para enfim, participar da vida plena do Reino de Deus.

4 - METODISMO: SERVIR POR AMOR
O Metodismo desde sua origem tem tomado o mandamento de amar ao próximo com muita seriedade, afirmando sempre que não se pode separar a religião dos acontecimentos de cada dia, ou seja, a fé em Jesus da vida, dom de Deus. Toda a vida humana em suas múltiplas dimensões estão sob o julgamento de Deus e devem ser transformadas pelo Espírito.

É por isso que, como parte do nosso testemunho cristão, devemos trabalhar para que se possa viver numa sociedade mais justa, através da repartição mais equânime (justa e por igual) da riqueza do país, a fim de que haja casa, chão, pão, roupa, escola, hospital, saúde e trabalho digno para todos e a fim de que haja menos esbanjamentos dos recursos materiais por parte de uns poucos, quando tantos vivem e morrem à mingua, da indigência, de fome.

Lutamos também para que nossa sociedade seja uma sociedade politicamente mais democrática, onde direitos e deveres sejam de todos e para todos. E não como é agora, quando direitos são somente para os ricos e os deveres são somente para os pobres. Onde lei é para proteger os ricos e punir os pobres.

Sensível à ação do Espírito Santo, a Igreja Metodista se reconhece chamada e enviada a trabalhar para Deus neste tempo e lugar onde ela está. É de Jesus Cristo que vem o poder para esta participação. Assim, fazemos uma escolha clara pela vida, manifesta em Jesus Cristo, em oposição à morte e a todas as forças que a produzem.

Este é o amor cristão. Para isto trabalhamos e oramos, ao repetirmos com o Senhor Jesus "Venha o Teu Reino; seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu."

28 julho, 2010

Manifesto ao 19° Concílio Geral da Igreja Metoista

Revmos. Bispos e Bispa, amadas e amados irmãs e irmãos conciliares e membros da COREAM.

Somos um grupo formado por aproximadamente cento e setenta cristãos metodistas, leigos e leigas, clérigos e clérigas, de todas as Regiões Eclesiásticas e Missionárias, unidos no propósito comum de refletirmos sobre nosso papel como metodistas diante dos desafios espirituais e políticos que se nos apresentam nos dias atuais.

Reunimo-nos através da troca de mensagens eletrônicas a respeito das mais recentes questões que desafiam o metodismo brasileiro e a partir de então analisamos a atuação da Igreja Metodista em todas as áreas, tanto em ambiente eletrônico (internet) como presencialmente, com o objetivo de valorizarmos a herança wesleyana e a prática metodista histórica em nosso seio.

Através do documento anexo e no corpo desta mensagem nos manifestamos à Igreja Metodista a se reunir no 19º Concílio Geral que se realizará em julho de 2011 em Brasília.

Agradecemos antecipadamente a acolhida do documento e colocamo-nos à disposição dos bispos, bispa, delegados clérigos e leigos e continuamente oramos pelo bem de todos nós e pelo bem da Igreja Metodista.

Fabio Martelozzo Mendes
coordenador

À Igreja Metodista Reunida no 19º Concilio Geral

"Se alguém está em Cristo, é nova criatura. As coisas antigas passaram; eis que umarealidade nova apareceu. Tudo isso vem de Deus, que nos reconciliou consigo pormeio de Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação. Pois era Deus quemreconciliava com ele mesmo o mundo por meio de Cristo, não levando em conta ospecados dos homens e colocando em nós a palavra da reconciliação" (II Co 5.17-19).

“A reconciliação do mundo em Jesus Cristo é a fonte da justiça, da paz e da liberdadeentre as nações; todas as estruturas e poderes da sociedade são chamados aparticipar dessa nova ordem. A Igreja é a comunidade que exemplifica essas relaçõesnovas do perdão, da justiça, e da liberdade, recomendando- as aos governos e naçõescomo caminho para uma política responsável de cooperação e paz.”(CREDO SOCIAL ,III - A ORDEM POLÍTICO-SOCIAL E ECONÔMICA).

Amados/as irmãos/ãs, saúde, graça, paz e bem!

Sabemos que o 18º Concílio Geral da Igreja Metodista realizado em 2006, deliberou aretirada da Igreja Metodista de organismos ecumênicos de que a Igreja CatólicaApostólica Romana participasse como membro. Por considerarmos que esta decisãofere princípios fundamentais do Evangelho e da tradição Metodista, defendemosveementemente que o 19º CG anule essa decisão, por entender que ela afronta nãotão somente o testemunho histórico do Metodismo de espalhar a "santidade bíblica porsobre a terra, a começar pela Igreja" mas também a vontade de nosso Senhor Jesus Cristo. Além disso, ela insere a Igreja anacronicamente em um ambiente de exclusãode pessoas por seu credo, ferindo princípios civis já consagrados pelos avanços da vidamoderna de respeito aos direitos humanos.

Ademais, é sabido que Nosso Senhor Jesus Cristo intercedeu ao Pai não só por seusdiscípulos, mas por todos que viessem a crer nele, quando disse: "A fim de que todossejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles nós; para queo mundo creia que tu me enviaste" (João 17.21)

O artigo número cinco, dos Artigos de Religião do metodismo expressa que "As SantasEscrituras contêm tudo que é necessário para a salvação, de maneira que o que nelasnão se encontre, nem por elas se possa provar, não se deve exigir de pessoa algumapara ser crido como artigo de fé, nem se deve julgar necessário para a salvação".

Entendemos que as Santas Escrituras expõem ser parte do projeto salvífico de Deus,revelado em Jesus Cristo, que persigamos a unidade da Igreja e que a divisão desta éum escândalo à Fé Cristã pois "há uma só fé, um só Espírito e um só Batismo (Ef. 4,5).

O Plano de Vida e Missão, adotado em 1982, ao tratar da Herança Wesleyana eao expressar os Elementos Fundamentais da Unidade Metodista, afirma ser "ometodismo parte da Igreja Universal de Jesus Cristo" e que ele "procura preservar oespírito de renovação da Igreja dentro da unidade conforme a intenção da ReformaProtestante do século XVI e do Movimento Wesleyano na Igreja Anglicana do séculoXVIII, que, por circunstâncias históricas, resultaram em divisões. Por isto, dá sua mãoa todos cujo coração é como o seu e busca no Espírito os caminhos para oestabelecimento da unidade visível da Igreja de Cristo (Jo 17.17-23)".

No sermão 39, "O Espírito Católico", fundamentado em 2 Rs 10.15-16, João Wesleyenfatiza as expressões: "Tens tu reto o coração para comigo, como o meu o é paracontigo? ...Então dá-me a mão." Salienta que, ter o "coração reto" não significa ter asmesmas opiniões, as mesmas formas de culto, concordância sobre o modelo deestrutura eclesiástica, sobre as formas de batismo ou de celebração da Ceia do Senhor,entre outros. A rigor, não exige nada em termos de ritos, práticas e costumes queexteriorizem quaisquer tipos de posturas comuns; o que se exige é sentimento decompromisso de amor a Deus e à humanidade. Ele chega a dizer: "Se não podemospensar igual por que não podemos amar igual?"

Entendemos que "unidade visível" não significa a reunião de todas as Igrejas em umaúnica estrutura eclesiástica e nem a adoção de posturas hegemônicas em questões deritos ou dogmas, mas uma capacidade dialogal típica da que foi defendida por JoãoWesley, de forma mais intensa, após a sua experiência de 24 de maio de 1738,alicerçada, entre outros, em Mt 5.45-48, que desafia os seguidores(as) de Jesus a umaprática parecida com a do Pai, que envia o sol e a chuva sobre todos(as): "bons emaus, justos e injustos"... Se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? ...Se saudardes somente os vossos irmãos , que fazeis de mais?

O Plano de Vida e Missão reitera ainda que nossa opção ecumênica, além de serobediência ao mandamento de Cristo, é resultado prático da vivência na frentemissionária, onde todos são irmanados na fé apesar das diferenças teológicodoutriná rias. Ou seja, o ecumenismo nasce da fé em missão pois ao indicar como umada área de atuação a de Promoção da Unidade Cristã, conceitua que: “A busca evivência da unidade da Igreja, como parte da Missão, não é optativa, mas uma dasexpressões históricas do Reino de Deus. Ela procede do Senhor Jesus Cristo e érealizada por meio do Espírito Santo, pela rica diversidade de dons, ministérios,serviços e estruturas que possibilitam aos cristãos trabalhar em amor na construção doReino de Deus até a sua concretização plena (Jo 10.17;1.17-23; 1 Co 1.10-13; 12.4-7,12 e 13; Ef 4.3-6; Ef 2.10-11).”

Pelo exposto, confessamos que nossa incapacidade de obedecer à decisão do 18º CG,não decorre de indisciplina ou insubmissão, mas da liberdade à qual somos chamadose que em Cristo nos foi outorgada. Ela nos constrange a declarar que "Um cristão ésenhor livre sobre todas as coisas e não está sujeito a ninguém. Um cristão é servidorde todas as coisas e sujeito a todos" (Da Liberdade Cristã, Martinho Lutero). Assimsendo, pedimos que "mantenhamos, entre nós, laços de paz, para conservar a unidadedo Espírito. Há um só corpo e um só Espírito, assim como a vocação nossa noschamou a uma só esperança: há um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Há um sóDeus e Pai de todos, que está acima de todos e está presente em todos" (Ef. 4.3-6).

Os abaixo assinados representam somente uma parte dos Metodistas Confessantes.Muitos pastores e pastoras não o assinam devido à possibilidades de represálias quetêm ocorrido em algumas de nossas regiões eclesiásticas.

• PAULO SILAS JORGE DE LARA Igreja Metodista Em Água Fria - 3ª RE.
• Paola Vargas Barbosa - Igreja Metodista Em Goiabeiras, Vitória/ES 4a RE.
• Fabio Martelozzo Mendes - Congregação Em Santana De Parnaíba/IgrejaMetodista Em Itaberaba - 3ª Região.
• Tony Welliton Da Silva Vilhena - Igreja Metodista Central Em Belém / REMA
• Francisco Thiago De Almeida – Franca/SP 5ª Região
• Lucas Lima Camargo Escobar Bueno – Sorocaba – SP 3ª RE
• Jaider Batista Da Silva, Igreja Metodista Do Bairro Santa Helena Em GovernadorValadares, MG.
• Elza Maria Robin Zenkner - Presbítera (Aposentada) - 2ª Região
• Elena Alves Silva - Pastora Na Igreja Metodista Em Jardim Colorado - 3ª RE
• João Luiz De Barros Teixeira - Presbítro - 1ª Regiao
• Carla Pereira Nonato – Igreja Metodista Em Monte Belo – 3ª Região
• Isaias Laval - Água Fria - SP
• KELLER APOLINARIO ROSA DA SILVA- IGREJA METODISTA DE CONSELHEIROPENA
• Adahyr Cruz
• Dalva Dianim Berzoini Igreja Metodista Em Bela Aurora - Juiz De Fora - 4ªRegião
• Cibele Paradela - Igreja Metodista De Botafogo - Rio De Janeiro - RJ
• Arthur Emílio Dianin - Igreja Metodista De Bela Aurora - Juiz De Fora/MG
• Anivaldo Padilha, Leigo, Igreja Metodista Em Vila Mariana, São Paulo, 3a.Região.
• Clésio De Oliveira Paradela - Igreja Metodista Em Venda Nova-BH (MG)
• Darlene Barbosa Schützer - Catedral Metodista De Piracicaba.
• Saulo De Tarso Cerqueira Baptista, Igreja Metodista Central De Belém, Pará.
• Octavio Alves Dos Santos Filho - Pastor Na Igreja Metodista No Itaim Bibi (SP)
• Sydney Farias Da Silva
• Diná Da Silva Branchini, Membro Igreja Metodista Em Suzano,São Paulo- 3RE
• Paulo Barbosa - Igreja Metodista em Goiabeiras – Vitória – ES
• Cléber De Oliveira Paradela
• Miriam Vargas Barbosa Da Igreja Metodista Em Goiabeiras – Vitória – ES
• Cristina Engels Rodrigues, Membro Da Igreja Metodista No Ipiranga
• Messias Valverde - Presbítero 4ª Região
• Carolina Cislaghi Rivero - Catedral Metodista De Piracicaba.
• Dilson Julio Da Silva
• Washington Luiz Silva Santos - Membro Leigo Da Igreja Metodista EmAricanduva.
• Sérgio Marcus Pinto Lopes - Presbítero
• Dilene Fernandes De Almeida, Presbítera, Igreja Metodista Em Guaianazes, SãoPaulo, 3a RE
• Juarez Reinaldo De Souza Lima - Igreja Metodista Em Água Fria 3ª RE
• Erika Schützer - Igreja Metodista Central De Piracicaba.
• Emília Maria Garcia Dos Santos, Membro Leigo Da Igreja Metodista No ItaimBibi.
• Jair Alves - Pastor Metodista Em Santo Estevão
• Wesley Silva dos Santos, leigo da Igreja Metodista em Vila Medeiros (SP)
• Rev. Luciano José de Lima, pastor na Igreja Metodista em Jundiaí (SP).
• James William Goodwin – 4ª Região
• Francisco Cetrulo Neto
• Cilas Ferraz de Oliveira - Presbítero - Izabela Hendrix - Belo Horizonte-MG
• Eunice Nazareth Nonato, Igreja Metodista Bela Vista – Governador Valadares,MG
• Martinho Luthero de Souza Junior, I.M. em Salgado Filho - BH, IV Região
• Waldecy Louback da Cunha - Igreja Metodista em Goiabeiras – Vitória – ES
• Marcelo Pereira Louback - Igreja Metodista em Goiabeiras – Vitória – ES
• Marislene Pereira Louback - Igreja Metodista em Goiabeiras – Vitória – ES
• Elias César Louback - Igreja Metodista em Goiabeiras – Vitória – ES
• Wagner Silva dos Santos
• Raquel Moraes Gaia - Igreja Metodista Central em Belém
• Jesus Anacleto Rosa, Presbítero aposentado- 3RE
• REV. Robert Stephen Newnum – 6ª RE
• Maria Newnum – 6a RE
• Victor Cláudio Paradela Ferreira - membro da Igreja Metodista em Bela Aurora -Juiz de Fora – MG
• Klaus Schützer - Igreja Metodista de São Carlos-SP
• Rudolf Schützer - Igreja Metodista Central de Piracicaba
• Eloisa Geraldi - Catedral Metodista de Piracicaba_SP
• Julio Augusto Toledo Veiga - Catedral Metodista de Piracicaba – SP
• Victor José Ferreira - Igreja Metodista de Botafogo Rio de Janeiro – RJ
• Paulo Roberto Ramos Caiuá (Membro da Catedral Metodista de Piracicaba)
• Gérson Mendes Ferreira - Igreja Metodista Central de Campinas.
• Nicanor Lopes – Pastor da IM em Jardim Pacaembu – Campinas - 5ª. RegiãoEclesiástica
• Leila de Castro Louback Ferraz - Igreja Metodista Izabela Hendrix - BeloHorizonte - MG (4a RE)
• SILVIA EUNICE BORGHI CEPEDA GIUSTI - Igreja Metodista Central deCampinas
• Filipe F. Ribeiro Maia, 5 RE, Piracicaba, SP.
• Sílvia Vilhena Antunes Amaral - Igreja Metodista Izabela Hendrix
• Yara Lígia Pacini - Igreja Metodista Central de Campinas.
• Sheila Christine Freire de Matos Hussar, membro da Catedral Metodista dePiracicaba.
• Susana Fernandes Ribeiro Maia - Catedral Metodista de Piracicaba- SP. 5ª RE
• Augusto Campos de Rezende Igreja Metodista Izabela Hendrix
• Alexandre Bomfim Rodrigues - Igreja Metodista do Izabela Hendrix BH
• Gerson Mattos. Leigo da Igreja Metodista em Arthur Alvim.
• Shirlei Debussi Pissaia - Igreja Metodista Central de Piracicaba
• Marcos Seir Andrino - Igreja Metodista Central Campinas SP - 5a Região
• Bernardeth Talasse Andrino - Igreja Metodista Central Campinas SP - 5a Região
• Rev, Luiz Ferraz dos Santos-pastoral AMAS-Catedral Metodista - Piracicaba.
• Tiago Bicudo
• Débora Bicudo de Faria – Igreja Metodista Central de Campinas

Aqueles e aquelas que desejarem subscrever o presente manifesto poderão fazê-loatravés da petição online no seguinte endereço:
http://www.ipetitio ns.com/petition/ manifesto19cg/

10 junho, 2010

Estudantes de Teologia da Universidade Metodista discutem a relação entre Igreja e Estado no Brasil

Desde o acordo assinado pelo governo brasileiro e o Vaticano, em novembro de 2008, a laicidade do Estado tem sido questionada no país. O Brasil é realmente um estado laico? Como igrejas e teólogos posicionam-se diante da obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas públicas, um dos itens previstos no acordo?

No dia 9 de junho, estudantes da Faculdade de Teologia da Universidade Metodista puderam refletir sobre essas questões com o auxílio da educadora Roseli Fischmann, professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de São Paulo e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Metodista de São Paulo, onde dirige o Núcleo de Educação em Direitos Humanos, da Faculdade de Humanidades e Direito. Entre outras colaborações na área governamental ela integrou a Comissão Especial do Governo do Estado de São Paulo sobre Ensino Religioso nas Escolas Públicas e a equipe de redação dos Parâmetros Curriculares Nacionais do MEC, sendo responsável pela redação do tema transversal Pluralidade Cultural.

No evento denominado “Café Teológico”, promovido pelo Centro Acadêmico João Wesley, com apoio da Faculdade de Teologia e Rede Ecumênica da Juventude, Roseli Fischmann defendeu a laicidade do Estado como garantia da liberdade de consciência, de crença e de culto. Ela explicou que essas três dimensões da liberdade são distintas, mas diretamente relacionadas. A liberdade de consciência diz respeito ao íntimo dos indivíduos. Mesmo o uso da violência ou a tortura não é capaz de cerceá-la; o indivíduo pode até ser coagido a determinadas ações, mas é impossível controlar o que se passa em seu pensamento. A liberdade de crença, também de caráter interior, “aloja-se no ninho da liberdade de consciência”. Já a liberdade de culto é a exteriorização da liberdade de crença e ocorre no espaço coletivo.

No Brasil do período imperial, exemplificou a professora, a liberdade de crença foi limitada pelo regime do padroado, que dava à Igreja Católica o status de religião oficial e única. Crentes de outras denominações só poderiam se reunir a portas fechadas, em edifícios que não tivessem a forma exterior de templo. “E ainda há países do mundo em que a liberdade de culto é tolhida”, alertou a professora.

Segundo Roseli Fischmann, a proclamação da República, em 1889, trouxe a separação entre Igreja e Estado e, a princípio, foi bem vinda pela Igreja Católica, incomodada pela interferência estatal. “Mas esse ponto sempre foi polêmico”, disse a professora. A instituição não queria perder a influência que sempre teve sobre a sociedade brasileira. Roseli destaca que durante 210 anos a Igreja Católica cuidou da escola pública, por intermédio dos jesuítas, que eram financiados pelo padroado. “É metade de nossa história! Ninguém se livra facilmente dessa herança”, afirmou.

Para a educadora, o ensino religioso ministrado em escola pública pode se tornar um perigoso espaço de luta pelo poder e uma violência contra as minorias. No caso brasileiro, pesquisas acadêmicas já detectaram vários exemplos de práticas religiosas adotadas no ambiente escolar que, aceitas pela maioria cristã, discriminam outros grupos religiosos. “Numa pesquisa que realizamos em oito cidades próximas a regiões metropolitanas, encontramos turmas de alunos aos quais se exigia a oração do Pai Nosso antes de iniciar as aulas. Vimos até uma diretora que mantinha um altar na escola”. Segundo Roseli, julgar que a maioria deva determinar os rumos de qualquer grupo social é uma distorção do princípio democrático. “A maioria elege e quem é eleito deve governar para todos e todas”, disse ela.

Governar para toda a população, no delicado campo da crença, seria a irrestrita adoção da laicidade do Estado, na opinião da educadora. Ela explica que as relações entre Igreja e Estado podem ser compreendidas em diferentes níveis. Nos estados teocráticos ocorre a fusão entre as duas instâncias de poder. O Estado existe como decorrência da religião. Tal é o caso da República do Irã, por exemplo. E nos estados em que o Estado é separado da religião, essa separação pode ocorrer com “hostilidade” -- como da antiga União Soviética, em que a religião foi banida da vida pública – ou numa relação pacífica. Países como Uruguai e Costa Rica, informa a professora, sempre prezaram por ter o Estado desvinculado da religião, respeitando a liberdade de culto de todas as crenças. No caso do Brasil, no entanto, ocorreria uma quarta forma de relacionamento, que Roseli chama de separação “atenuada”: aqui, o Estado não apenas garante a liberdade, mas reconhece que valores religiosos podem ser relevantes para a população. Esse reconhecimento está na Constituição e explica, por exemplo, a isenção fiscal que privilegia templos religiosos, a existência de capelanias militares e o próprio. acordo com a Santa Sé, aprovado no ano passado. Contudo, segundo a professora, esse acordo fere o Artigo 19 da Constituição, que proíbe ao Estado firmar qualquer tipo de acordo com religiões ou seus representantes: “É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público”. Para Roseli Fischmann, não vale o argumento de que a Santa Sé seria comparável aos demais estados: “Ninguém tem cidadania ou passaporte vaticanos”, resumiu.


Tolerância religiosa e espiritualidade

Após a palestra, a professora Roseli Fischmann recebeu perguntas da platéia. Dentre outros temas, ela foi questionada sobre a validade do ensino religioso público como promotor de diálogo e tolerância entre crentes de diferentes tradições e sobre o espaço destinado ao cultivo da espiritualidade dentro do ambiente escolar – que, não raras vezes, privilegia o individualismo, a competitividade e o consumismo.

A educadora argumentou que os docentes não têm a necessária formação para promover um diálogo isento de proselitismo. Segundo Roseli, seria muito difícil criar e transmitir um conteúdo que não confundisse as crianças, sobretudo as menores, que estão recebendo valores de suas famílias e grupos religiosos. “A transversalidade no ensino religioso já não é fácil nem para adultos”, disse. Numa escola laica, a religião estaria presente nos conteúdos existentes (como história, por exemplo), que abririam o necessário espaço ao debate sobre tolerância religiosa. Quanto ao cultivo da espiritualidade, Roseli Fischmann defendeu que o contraponto ao individualismo e ao consumismo está no estímulo à solidariedade e na defesa de valores e direitos humanos que, universais, não se limitam ao tão particular campo das crenças religiosas.

Suzel Tunes
Assessoria de Comunicação

02 fevereiro, 2010

O Haiti e a "maldição africana" (José do Carmo da Silva, o Zé do Egito)

Hoje pela manhã, eu e minha filha revíamos o vídeo onde George Samuel Antoine quebrava todas as leis da “diplomacia” ao comentar o terremoto de 7 graus na escala Richter que atingiu o Haiti, país mais pobre das Américas, na última terça-feira, dia 12 de janeiro. George Samuel Antoine é Cônsul do Haiti no Brasil, e numa entrevista veiculada pelo SBT, Sistema Brasileiro de Televisão, apontou como possível causa do terremoto certa maldição que pesa sobre o povo africano. Ao fazer tão infeliz comentário, o Cônsul não sabia que ainda estava sendo filmado.

Após ver o vídeo, deparei-me com outro artigo sobre o terremoto que tem causado comoção mundial, onde o tele-evangelista estadunidense Pat Robertson explica as "desgraças" haitianas como sendo conseqüência de "pactos" ocorridos há duzentos anos entre os haitianos e o demônio.

Naquele momento lembrei-me do tempo da Faculdade de Teologia.

Não que lá eu tenha ouvido besteiras tamanhas, mas porque, ao fazer as pesquisas para um capitulo de meu TCC sobre os aspectos teológicos usados pela Igreja Cristã para legitimar a escravidão negra, cheguei a entrar em crise.

Entrei em crise ao ler sobre tantas desgraças feitas, em nome de Deus, por pessoas que diziam acreditar Nele, sendo seus representantes, alegando até mesmo serem “cabeças visíveis” do Corpo de Jesus, a Igreja. Minha crise foi com os homens que diziam representar Deus e não com Deus, portanto minha fé abalou-se, mas não pereceu.

Ao estudar os materiais coletados para a Monografia, eu passava horas meditando sobre que tipo de espírito movia os teólogos que disseminaram o pensamento expresso no comentário infeliz do Cônsul sobre os africanos.

Ao rever o vídeo, não o censurei, pois o que ele disse não é exclusivamente fruto do pensar dele, antes, é fruto de sua crença, daquilo que aprendeu ou ouviu de algum religioso, pois as malfazejas palavras dele se baseiam em argumentos que no passado foram defendidos pela Igreja Cristã para legitimar a escravidão negra. Eduardo Hoornaert afirma:

O texto de Gênesis 9 pode ser chamado o texto “gerador” da ideologia escravista cristã. Ele se desdobrou, durante a história da teologia e especialmente da patrística em numerosas reflexões, comentários, elucubrações, tendo como finalidade justificar a existência da escravidão como instituição dentro do próprio corpo cristão. [...] Na cultura cristã, a famosa maldição de Cam e de Canaã se tornou uma espécie de artigo de fé, um arsenal de armas ideológicas cuja capacidade de alvo supera de longe a dos arsenais de guerra mais sofisticados, e que está longe de ser desmantelado nos dias que correm.

A prova de que a Igreja Cristã cria que os negros eram os herdeiros da maldição lançada por Noé sobre Cam, evidencia-se numa oração em favor da conversão ao catolicismo dos povos da África Central. Tal oração, que parte da Secretaria da Sagrada Congregação das Indulgências, Roma, em 12 de novembro de 1873, convida os católicos a rezarem assim:

“Rezemos pelos povos muito miseráveis da África Central que constituem a décima parte do gênero humano, para que Deus onipotente finalmente tire de seus corações a maldição de Cam e lhes dê a benção que só podem conseguir em Jesus Cristo, nosso Deus e Senhor: Senhor Jesus Cristo, único Salvador de todo gênero humano, que já reinais de mar a mar e do rio até os confins da terra, abre com benevolência o seu sacratíssimo coração mesmo às almas mui miseráveis da África, que até agora encontram-se nas trevas e nas sombras da morte, para que pela intercessão da puríssima Virgem Maria, tua mãe imaculada, e de São José, tendo abandonado os ídolos, os etíopes se prostrem diante de Ti e sejam agregados à tua santa Igreja.”

É justo ser imparcial aqui, esclarecendo que tais argumentos também foram usados pelos cristãos protestantes, para fazerem uso da mão-de-obra escrava negra.

Sem querer polemizar, mas, sendo sincero no que eu creio, eu penso e estou escrevendo, quero tecer alguns comentários sobre o demônio e seus instrumentos humanos e estruturais.

Inicio dizendo que é muito fácil satanizar os outros, vendo sempre o diabo naquilo e naqueles que são diferentes, fechando os olhos para a ação do mal no meio de nossos sistemas religiosos os quais divinizamos. Portanto, olharei para dentro de minha religião cristã, a fim de resgatar fatos históricos, que pessoalmente interpreto como situações, onde cristãos atuaram como protagonistas, servindo a causa do mal.

Salvo no satanismo declarado, a luz das Escrituras sagradas de quaisquer religiões, o demônio é sempre o portador de opressão e escravidão.

Assim sendo, não negando a pessoalidade dele, para os judeus dos dias de Jesus de Nazaré, o maligno era o Império Romano e suas Legiões.

Para os povos que habitavam as Américas os “demônios” chegavam deslizando sobre as águas em suas imponentes naus. Eram portugueses, eram espanhóis, como no caso de nossa tão sofrida América Latina.

Os astecas, só depois de verem muitos dos seus mortos, se deram conta que os espanhóis não eram deuses, embora falassem e batizassem em nome de um Deus.

A História nos mostra que, na colonização das Américas, o “demônio” se personificou na escravidão, opressão e morte, experimentadas em grandes escalas pelos nativos, depois do contato com aqueles que traziam a "cruz" e o "credo".

Ou seja, na visão dos povos colonizados, tidos pelos europeus como "bárbaros pagãos" o mal sempre veio junto com os ditos "civilizados cristãos".

Ver tanto mal causado em nome de Cristo, que só pregou, viveu e morreu pelo bem da humanidade, me deixou em crise, mas, buscando refúgio na oração e na meditação das Escrituras, com a graça de Deus pude superá-la. E minhas leituras da Bíblia e da História me convenceram definitivamente que, não fora o Espírito Santo a força motriz de tantas desgraças, mas, sim, a ambição, o preconceito, o racismo e acima de tudo, o amor ao dinheiro, raiz de todos os males da humanidade.

O amor ao dinheiro e ao poder dele derivado fazem surgir ditadores de todos os matizes, ou seja, independente da cor da tez, o espírito ditatorial historicamente possuiu desde ao alemão Adolf Hitler até o negro ugandense Idi Amin Dada Oumee, conhecido como: "O talhante de Kampala", "senhor do horror" e "o carniceiro da África".

Estima-se que Idi Amim Dada, que se manteve no poder de 1971 a 1979, tenha matado entre 300 mil a meio milhão de pessoas durante o seu regime ditatorial.

O Haiti, ou ao menos, fragmentos dele, "e infelizmente do que há de pior nele", tornou-se bem conhecido do povo brasileiro, desde que o Brasil aceitou comandar a missão militar da ONU enviando 1200 soldados para ocupá-lo, numa forma de ajuda humanitária.

Atualmente o país tem tido espaço na mídia mundial, devido ao terremoto que matou dezenas de milhares de pessoas, inclusive militares brasileiros e a médica pediatra e sanitarista Zilda Arns, fundadora e coordenadora nacional da Pastoral da Criança.

Talvez o que pouquíssimas pessoas saibam é que o Haiti fulgura na História como a primeira nação americana que se viu livre da mais execrável vilania que já se viu debaixo do céu. A existência da sofrida população haitiana esta ligada à história da escravidão, à luta e libertação dela. Libertação que veio através da revolta dos negros escravizados. E, é por terem obtido a vitória numa revoltosa luta pela liberdade que Pat Robertson declara que o diabo ajudou aos negros haitianos.

Contrariando Pat Robertson, julgando por aquilo que está em Êxodo capítulo três, a Divindade que se coloca ao lado dos escravos é Deus, não o demônio. O demônio está do lado do opressor, personificado em Faraó e seus magos, que fazem de tudo para manter o povo sob o jugo da escravidão.

Deus se opõe à escravidão, pois ela tira o que existe de mais sagrado para o ser humano, a liberdade. Pela liberdade o ser humano é capaz tanto de matar, como de morrer. Tal qual muitos escravos faziam, optando pelo suicídio como fuga da escravidão.

A escravidão citada pela Bíblia é totalmente diferente da imposta aos povos africanos pelos europeus, diferindo-se também da escravidão que existia entre tribos africanas.

Deus não amaldiçoou aos negros, ao contrário do "racista-cinio" do Cônsul haitiano, George Samuel Antoine, Javé os amou! Amor expresso nesta declaração: “Não sois vós para mim, ó filhos de Israel, como os filhos dos etíopes?” (Amós 9.7).

Creio que, quem estava ao lado, ou a frente dos negros haitianos na rebelião que levou à libertação, era Deus e não o Maligno. Veja um trecho da história da revolução haitiana:

O ano de 2004 marca o bicentenário da maior revolta de escravos da história, que conseguiu de forma genial derrotar os mais poderosos exércitos da época: francês, inglês e espanhol. Genial, porque aproveitou a experiência militar dos negros trazidos da África para trabalharem até a morte como escravos na “Pérola das Antilhas”, a mais lucrativa colônia da época. Usando técnicas de guerrilha, entre 1791 e 1804 o exército de libertação liderado por Toussaint e Dessalines fustigou incessantemente as forças regulares das potências colonialistas até obter a vitória, na maior epopéia de libertação jamais vista pela Europa. A Revolução Haitiana foi feita pelos haitianos, mas sua vitória pertence a todos os povos, por demonstrar, no alvorecer do século XIX, a possibilidade real de derrotar um inimigo várias vezes mais poderoso. Dessa forma, os haitianos destruíram o mito da invencibilidade da Europa, e deram o exemplo para as lutas de libertação nas colônias da América Latina.

O exemplo de liberdade não poderia sobreviver impunemente: por mais de 60 anos os Estados Unidos impuseram bloqueio econômico ao Haiti, e a França impôs pesadas compensações pela perda da lucrativa colônia, estrangulando a economia do pequeno e recém-criado país. O Haiti foi a primeira nação americana livre da escravidão. Nesses dois séculos desde a independência, a ilha foi alvo dos interesses colonialistas e imperialistas, sendo ocupada pelos Estados Unidos entre 1915 e 1934, levando à morte milhares de haitianos.

Entre 1957 e 1986 as ditaduras de Papa Doc e Baby Doc espalharam o terror e resultaram em revolta popular. Em 1990, defendendo um programa de governo popular, o ex-padre Jean-Bertrand Aristide foi eleito com 70 % dos votos, para ser deposto por golpe militar apoiado pelos Estados Unidos em 1991.

De volta em 1994, agora com o apoio dos EUA, e com posições políticas pró-imperialistas, Aristide governou com o apoio de milícias armadas. Porém, devido à forte oposição popular, a situação tornou-se insuportável.”

Argumento que: se considerarmos que os escravistas eram cristãos que diziam crer em Deus, e tomando a sério a explicação de Pat Robertson de que os negros se aliaram ao diabo para conseguirem a liberdade, somos obrigados a acreditar que Deus pela primeira vez na história perdeu para o diabo, pois como acima citado no alvorecer do século XIX, o povo haitiano derrotou um inimigo infinitamente mais poderoso do que eles.

Eu prefiro acreditar que a vitória foi possível por estar Deus ao lado dos oprimidos e não dos opressores, isto independente da religião deles. E que a atual miséria do Haiti se deve ao abandono e embargos impostos pelas nações que anteriormente exploraram o país e os escravos.

Quanto ao terremoto, acredito que qualquer país que esteja situado sobre as bordas de placas tectônicas, independente do credo religioso que professe, está sujeito a ser atingido por um terremoto.

Se os povos do Haiti fossem brancos, teriam feito até filmes sobre a revolução que lhes concedeu a liberdade, e tal vitória seria creditada à ajuda de Deus, mas como é um país majoritariamente negro, é mais fácil, explicar a vitória e as desgraças lá ocorridas como frutos de pactos demoníacos.

Penso que o diabo é um ser pessoal, inteligente, que atua no mundo, mas, muito mais do agir em e através de pessoas, sua maldade possui alcance maior quando ele se apossa de estruturas, ideologias e instituições. E sua ideologia preferida tem sido a racista, que tem causado milhares de conflitos e mortes ao longo da História.

Infelizmente, a História e as vigentes injustiças decorrentes da escravidão impedem nosso silêncio sobre a questão negra, pois a ideologia racista deixou suas marcas satânicas até mesmo dentro da Igreja Cristã. Sim, até mesmo igrejas podem ser usadas pelo mal! Pois, serve ao diabo toda igreja cuja pregação aliena, escraviza, impede a pessoa de crescer e de desenvolver o seu pensar. Toda igreja que se coloca ao lado dos poderosos deste mundo traiu o Evangelho, negou a fé, se tornando pior do que os infiéis.

Religião que não incentiva o saber e crescer humano é instrumento do mal, pois o diabo é o principal interessado em manter as pessoas na ignorância. Igreja que não incentiva o saber, buscando unir piedade vital e ciência, não proclama a Boa Nova de Jesus, pois o Evangelho de Cristo é libertador e não aprisionador.

Toda vez que uma religião oprime, mata, discrimina, usando do poder político para se expandir, deixa de servir a Deus, passando a ser útil, ainda que inconscientemente, àquele que é o oposto de Jesus Cristo e pregando o oposto à verdade, o oposto do amor, o oposto da justiça e da paz.

Relacionar o africano a maldição é desconhecer as Escrituras, aceitando de forma acrítica interpretações teológicas distorcidas que serviram aos interesses escravistas que se firmaram na Europa com as Grandes Navegações e a descoberta dos chamados “Novos Mundos”. É demonstrar ignorância quanto ao Cristianismo de Matriz Afro, muito mais antigo que o Europeu, e que permanece mais puro do que o catolicismo e protestantismo europeu.

Concluo dizendo que: minha leitura bíblica me diz que o demônio escraviza, mostrando-me que ele veio para roubar, matar e destruir. Com base nesse meu pensar eu gostaria de lembrar ao Cônsul, ao Pat Robertson e a outros que pensem igualmente a eles, que, quem praticou roubos, morticínios e destruições de culturas e civilizações inteiras com maior eficácia e freqüência foram os chamados colonizadores europeus.

Além desse lembrete, deixo as seguintes indagações:

Se o diabo veio para roubar, matar e destruir: qual o espírito que se movia na cristandade, nas Cruzadas, inquisições, colonizações e outras atitudes que mataram a milhares de pessoas?

Sendo assim, quem se aproxima mais de ligações com o diabo? Os dominados, ou seus dominadores?

Qual espírito que se movia nas Igrejas alemãs, que as levaram ao silêncio ou apoio ao nazismo? Excetuando o pastor Dietrich Bonhoeffer e os outros defensores da Igreja Confessional, que se opuseram ao regime de Adolf Hitler e por isso foram ferozmente perseguidos pelo nazismo.

Se o ocorrido no Haiti foi devido a “pactos satânicos”, como explicar então desastres naturais ocorridos em países cristãos, tais como, Brasil, EUA, Inglaterra e etc.?

Nas infelizes palavras do Cônsul, cujo pensar é semelhante ao de inúmeros cristãos, podemos ver que a interpretação teológica causadora da desgraça de um continente inteiro e dos africanos na diáspora forçada, ainda está viva e latente como mantenedora da discriminação étnica que leva a exclusão social e ao preconceito religioso em relação ao povo negro.

É por causa de declarações como as de Pat Robertson e do Cônsul haitiano que teólogos comprometidos com a verdade, justiça e a paz não podem se calar! Pois, se no passado usaram e ainda hoje usam a teologia como instrumento de alienação e discriminação, é nosso dever cristão, por fidelidade ao Evangelho, usá-la em favor da conscientização e libertação.

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Fontes: HOORNAERT, Eduardo. O negro e a Bíblia: um clamor de justiça. A leitura da Bíblia em relação à escravidão negra no Brasil - colônia (um inventário) Petrópolis: Vozes, 1988.